quarta-feira, 15 de novembro de 2017
segunda-feira, 13 de novembro de 2017
sábado, 11 de novembro de 2017
A Mãe
--Oh! Nosso Senhor não mo há-de levar! não é verdade?--
E o velho, que era a Morte, meneou a cabeça duma maneira estranha, em ar de dúvida. A mãe deixou pender a fronte para o chão, e as lágrimas corriam-lhe em fio pela cara. Sentiu-se estonteada com um grande peso de cabeça; estava sem dormir havia três dias e três noites. Passou ligeiramente pelo sono, durante um minuto, e despertou sobressaltada a tremer de frio.
--Que é isto! exclamou, lançando à volta de si o olhar alucinado. O berço estava vazio. O velho tinha-se ido embora, roubando-lhe a criança.
* * * * *
A pobre mãe saiu precipitadamente, gritando pelo filho. Encontrou uma mulher sentada no meio da neve, vestida de luto. «A Morte entrou-te em casa, disse-lhe ela. Via sair a correr levando teu filho. Anda mais depressa que o vento, e o que ela furta nunca o torna a entregar.»
--Por onde foi ela? gritou a mãe. Diz-mo pelo amor de Deus!»
--Sei o caminho por onde ela foi, respondeu a mulher vestida de preto. Mas só to ensino, se me cantares primeiro todas as canções que cantavas ao teu filho. São lindas, e tens uma voz harmoniosa. Eu sou a Noite e muitas vezes tas ouvi cantar, debulhada em lágrimas.
--Cantar-tas-ei todas, todas, mas logo, disse a mãe. Agora não me demores, porque quero encontrar o meu filho.--
A Noite ficou silenciosa. A mãe então, desfeita em lágrimas, começou a cantar. Cantou muitas canções, mas as lágrimas foram mais do que as palavras.
No fim disse-lhe a Noite: «Toma à direita, pela floresta escura de pinheiros. Foi por aí que a Morte fugiu com o teu filho.»
A mãe correu para a floresta; mas no meio dividia-se o caminho, e não sabia que direcção havia de seguir. Diante dela havia um matagal, cheio de silvas, sem folhas nem flores, de cujos ramos pendia a neve cristalizada.
* * * * *
--Não viste a Morte que levava o meu filho?» perguntou-lhe a mãe.
--Vi, respondeu o matagal, mas não te ensino o caminho, senão com a condição de me aqueceres no teu seio, porque estou gelado.»
E a mãe estreitou o matagal contra o coração; os espinhos dilaceraram-lhe o peito, donde corria sangue. Mas o matagal vestiu-se de folhas frescas e verdejantes, e cobriu-se de flores numa noite de Inverno frigidíssima, tal é o calor febricitante do seio d'uma mãe angustiosa.
E o matagal ensinou-lhe o caminho que devia seguir. Foi andando, andando, até que chegou à margem dum grande lago, onde não havia nem barcos, nem navios. Não estava suficientemente gelado para se andar por ele, e era demasiadamente profundo para o passar a vau. Contudo, querendo encontrar o seu filho, era necessário atravessá-lo. No delírio do seu amor, atirou-se de bruços a ver se poderia beber toda a água do lago. Era impossível, mas lembrava-se que Deus, por compaixão, faria talvez um milagre.
--Não! não és capaz de me esgotar, disse o lago. Sossega, e entendamo-nos amigavelmente. Gosto de ver pérolas no fundo das minhas águas, e os teus olhos são dum brilho mais suave do que as pérolas mais ricas que eu tenho possuído. Se queres, arranca-os das órbitas à força de chorar, e levar-te-ei à estufa grandiosa, que está do outro lado: essa estufa é a habitação da Morte; e as flores e as árvores que estão lá dentro, é ela quem as cultiva; cada flor e cada árvore é a vida duma criatura humana.»
--Oh! o que não darei eu, para reaver o meu filho!» disse a mãe. E apesar de ter já chorado tantas lágrimas, chorou com mais
sábado, 4 de novembro de 2017
Barba Ruiva
Barba Ruiva
Aqui está a lagoa de Paranaguá, limpa como um espelho e bonita como noiva enfeitada.
Espraia-se em quinze quilômetros por cinco de largura, mas não era, tempo antigo, assim grande, poderosa como um braço de mar. Cresceu por encanto, cobrindo mato e caminho, por causa do pecado dos homens.
Nas salinas, ponta leste do povoado de Paranaguá, vivia uma viúva com três filhas. O rio Fundo caía numa lagoa pequena no meio da várzea.
Um dia, não se sabe como, a mais moça das filhas da viúva adoeceu e ninguém atinava com a moléstia. Ficou triste e pensativa.
Estava esperando menino e o namorado morrera sem ter ocasião de levar a moça ao altar.
Chegando o tempo, descansou a moça nos matos e, querendo esconder a vergonha, deitou o filhinho num tacho de cobre e sacudiu-o dentro da lagoa.
O tacho desceu e subiu logo, trazido por uma Mãe-d’Água, tremendo de raiva na sua beleza feiticeira. Amaldiçoou a moça que chorava, e mergulhou.
As águas foram crescendo, subindo e correndo, numa enchente sem fim, dia e noite, alagando, encharcando, atolando, aumentando sem cessar, cumprindo uma ordem misteriosa. Tomou toda a várzea, passando por cima das carnaubeiras e buritis, dando onda como maré de enchente na lua.
Ficou a lagoa encantada, cheia de luzes e de vozes. Ninguém podia morar na beira porque, a noite inteira, subia do fundo d’água um choro de criança, como se chamasse a mãe para amamentar.
Ano vai e ano vem, o choro parou e vez por outra, aparecia um homem moço, airoso, muito claro, menino de manhã, com barbas ruivas ao meio-dia e barbado de branco ao anoitecer.
Muita gente o viu e tem visto. Foge dos homens e procura as mulheres que vão bater roupa. Agarra-as só para abraçar e beijar. Depois, corre e pula na lagoa, desaparecendo.
Nenhuma mulher bate roupa e toma banho sozinha, com medo do Barba Ruiva. homem de respeito, doutor formado, tem encontrado o Filho-da-Mãe-d’Água, e perde o uso da razão, horas e horas.
Mas, o Barba Ruiva não ofende a ninguém. Corre sua sina nas águas da lagoa de Paranaguá, perseguindo mulheres e fugindo de homens.
Um dia desencantará. Se uma mulher atirar na cabeça dele água benta e um rosário indulgenciado. Barba Ruiva é pagão, e deixa de ser encantado sendo cristão.
Mas não nasceu ainda essa mulher valente para desencantar o Barba Ruiva.
Por isso ele cumpre sua sina nas águas claras da lagoa de Paranaguá.
4 – Barba Ruiva.
LUÍS CÂMARA CASCUDO.
sábado, 28 de outubro de 2017
Lenda da Sapucaia-Roca
Sapucaia-roca é uma pequena povoação à margem do rio Madeira.
Pouco abaixo do lugar em que se acha assentada, referem os índios que existiu outrora uma povoação, muito maior do que esta, e que um dia desapareceu da superfície da terra, sepultando-se nas profundidades do rio.
É que os muras, que então a habitavam, levavam a vida desordenada e má, e nas festas, que em honra de Tupana celebravam, entregaram-se a danças tão lascivas e cantavam cantigas tão impuras, que faziam chorar de dor aos angaturamas, que eram os espíritos protetores, que por eles velavam.
Por vezes os velhos e inspirados pajés, sabedores dos segredos de Tupana, haviam-nos advertido de que tremendo castigo os ameaçava, se não rompessem com a prática de tão criminosas abominações.
Mas cegos e surdos, os muras não os viam, nem os ouviam. E pois um dia, em meio das festas e das danças e quando mais quente fervia a orgia, tremeu de súbito a terra e na voragem das águas, que se erguiam, desapareceu a povoação.
As altas barrancas que ainda hoje ali se vêem, atestam a profundidade do abismo em que foi arrojada a povoação e os réprobos...
Depois, muitos anos depois, foi que começou a surgir a atual povoação, que ainda não pôde atingir ao grau de esplendor da que fora submergida.
Foram de novo habitá-la os muras; mas em breve, por entre a escuridão da noite começaram a ouvir, transidos de medo, como o cantar sonoro de galos, que incessante se erguia do fundo das águas.
Consultados os pajés, que perscrutavam os segredos do destino, declaram estes que aquele cantar de galos, ouvindo em horas mortas da noite, provinha daqueles mesmos angaturamas, que deploraram outrora a misérrima sorte da povoação submergida e que, sempre protetores dos filhos dos Muras, serviam-se do canto desesperador dos galos da sapucaia-roca submergida, para recordarem o tremendo castigo por que passaram seus maiores e desviarem a nova geração do perigo de sorte igual.
É este o fato que deu origem ao nome da povoação: Sapucaia-Roca.
3 - Lenda da Sapucaia-Roca
O cônego FRANCISCO BERNARDINO DE SOUZA, (n. 1834), recolheu essa lenda quando esteve em missão científica na região onde é ainda contada. Lembranças e Curiosidades do Vale do Amazonas, pp. 261-262, Pará, 1873.
SAPUCAIA-ROCA, e não sapucaia-oroca, vale dizer casa da sapucaia, casa da galinha, o galinheiro.
MURAS: Luciano Pereira da Silva, estudando o "Estado do Amazonas" no Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico, IIº, pp. 36-38, Rio de Janeiro, 1922, informa: "A nação mura, de péssimas tradições, infestava as margens do Amazonas em grande extensão, atacando não só os viajantes civilizados como as outras nações índias. Os Muras eram verdadeiros piratas. Preguiçosos por natureza, verdadeiros boêmios, entregam-se ao roubo e à pilhagem. Covardes e imundos, são detestados de todos os demais índios. Frei Caetano Brandão, Bispo do Para, quando da sua quarta visita pastoral ao Sertão, comparou-os a uma manada de porcos, tal o seu estado de depravação."
É natural que fosse aplicada a Mura, a lenda universal das cidades submergidas por castigo de obstinação pecaminosa.
Em quase todo todos os estados do Brasil vivem as lendas das cidades desaparecidas nas águas do mar e dos rios. Em Minas Gerais havia uma cidade linda, no tempo da mineração do ouro, orgulho de luxo e vício. Desapareceu numa noite e está no fundo da lagoa Santa, de onde emerge, lentamente, uma vez por ano, visível e perturbadora, como If. Na Lagoa Negra, Conceição do Arroio, no Rio Grande do Sul há canto estridente de galos misteriosos. Olavo Bilac escreveu: "A mais bela lenda da cidade encantada é amazônica. Na foz do rio Gurupi, a 9 milhas da cidade de Vizeu, no Pará, existe um grande rochedo, em que se cava uma profunda gruta. É crença, entre os povos, que ali, sobre o rochedo, houve um cidade, que foi por uma inundação arrastada para o fundo do rio; nas noites claras, de luar, ouve-se distintamente, lá em baixo, um rumor de vozes humanas e de repiques de sinos. No Sul, encontrei esta mesma lenda, ouvida em Santos, de pescadores de São Vicente." Últimas Conferências e Discursos, p. 330, Rio de Janeiro, 1924.
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Pouco abaixo do lugar em que se acha assentada, referem os índios que existiu outrora uma povoação, muito maior do que esta, e que um dia desapareceu da superfície da terra, sepultando-se nas profundidades do rio.
É que os muras, que então a habitavam, levavam a vida desordenada e má, e nas festas, que em honra de Tupana celebravam, entregaram-se a danças tão lascivas e cantavam cantigas tão impuras, que faziam chorar de dor aos angaturamas, que eram os espíritos protetores, que por eles velavam.
Por vezes os velhos e inspirados pajés, sabedores dos segredos de Tupana, haviam-nos advertido de que tremendo castigo os ameaçava, se não rompessem com a prática de tão criminosas abominações.
Mas cegos e surdos, os muras não os viam, nem os ouviam. E pois um dia, em meio das festas e das danças e quando mais quente fervia a orgia, tremeu de súbito a terra e na voragem das águas, que se erguiam, desapareceu a povoação.
As altas barrancas que ainda hoje ali se vêem, atestam a profundidade do abismo em que foi arrojada a povoação e os réprobos...
Depois, muitos anos depois, foi que começou a surgir a atual povoação, que ainda não pôde atingir ao grau de esplendor da que fora submergida.
Foram de novo habitá-la os muras; mas em breve, por entre a escuridão da noite começaram a ouvir, transidos de medo, como o cantar sonoro de galos, que incessante se erguia do fundo das águas.
Consultados os pajés, que perscrutavam os segredos do destino, declaram estes que aquele cantar de galos, ouvindo em horas mortas da noite, provinha daqueles mesmos angaturamas, que deploraram outrora a misérrima sorte da povoação submergida e que, sempre protetores dos filhos dos Muras, serviam-se do canto desesperador dos galos da sapucaia-roca submergida, para recordarem o tremendo castigo por que passaram seus maiores e desviarem a nova geração do perigo de sorte igual.
É este o fato que deu origem ao nome da povoação: Sapucaia-Roca.
3 - Lenda da Sapucaia-Roca
O cônego FRANCISCO BERNARDINO DE SOUZA, (n. 1834), recolheu essa lenda quando esteve em missão científica na região onde é ainda contada. Lembranças e Curiosidades do Vale do Amazonas, pp. 261-262, Pará, 1873.
SAPUCAIA-ROCA, e não sapucaia-oroca, vale dizer casa da sapucaia, casa da galinha, o galinheiro.
MURAS: Luciano Pereira da Silva, estudando o "Estado do Amazonas" no Dicionário Histórico, Geográfico e Etnográfico, IIº, pp. 36-38, Rio de Janeiro, 1922, informa: "A nação mura, de péssimas tradições, infestava as margens do Amazonas em grande extensão, atacando não só os viajantes civilizados como as outras nações índias. Os Muras eram verdadeiros piratas. Preguiçosos por natureza, verdadeiros boêmios, entregam-se ao roubo e à pilhagem. Covardes e imundos, são detestados de todos os demais índios. Frei Caetano Brandão, Bispo do Para, quando da sua quarta visita pastoral ao Sertão, comparou-os a uma manada de porcos, tal o seu estado de depravação."
É natural que fosse aplicada a Mura, a lenda universal das cidades submergidas por castigo de obstinação pecaminosa.
Em quase todo todos os estados do Brasil vivem as lendas das cidades desaparecidas nas águas do mar e dos rios. Em Minas Gerais havia uma cidade linda, no tempo da mineração do ouro, orgulho de luxo e vício. Desapareceu numa noite e está no fundo da lagoa Santa, de onde emerge, lentamente, uma vez por ano, visível e perturbadora, como If. Na Lagoa Negra, Conceição do Arroio, no Rio Grande do Sul há canto estridente de galos misteriosos. Olavo Bilac escreveu: "A mais bela lenda da cidade encantada é amazônica. Na foz do rio Gurupi, a 9 milhas da cidade de Vizeu, no Pará, existe um grande rochedo, em que se cava uma profunda gruta. É crença, entre os povos, que ali, sobre o rochedo, houve um cidade, que foi por uma inundação arrastada para o fundo do rio; nas noites claras, de luar, ouve-se distintamente, lá em baixo, um rumor de vozes humanas e de repiques de sinos. No Sul, encontrei esta mesma lenda, ouvida em Santos, de pescadores de São Vicente." Últimas Conferências e Discursos, p. 330, Rio de Janeiro, 1924.
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sábado, 21 de outubro de 2017
sábado, 14 de outubro de 2017
Lendas Brasileiras
Lendas Brasileiras
Luis Câmara Cascudo
Ilustações de Poty.
Editora: Ediouro.
[003]Sumario:
[005]introdução
[008]nota do editor
[011]biografia de poty
[0]norte
[0]a lenda da iara
[0]cobra norato
[0]lenda da sapucaia-roca
[0]barba ruiva
[0]nordeste
[0]a cidade encantada de jericoacoara
[0]carro caido
[0]senhor do corpo santo
[0]as mangas de jasmim de itamaraca
[0]a morte do zumbi
[0]este
[0]o frade e a freira
[0]a serpente emplumada da lapa
[0]o sonho de paraguassu
[1]sul
[1]o negrinho do pastoreio
[1]a lenda da gralha azul
[1]fonte dos amores
[1]a virgem aparecida
[1]a lenda de itarare
[1]centro
[1]os tatus brancos
[1]a missa dos mortos
[1]chico rei
[1]romaozinho
[1]algumas notas --- vocabulario e informações
Luis Câmara Cascudo
Ilustações de Poty.
Editora: Ediouro.
[003]Sumario:
[005]introdução
[008]nota do editor
[011]biografia de poty
[0]norte
[0]a lenda da iara
[0]cobra norato
[0]lenda da sapucaia-roca
[0]barba ruiva
[0]nordeste
[0]a cidade encantada de jericoacoara
[0]carro caido
[0]senhor do corpo santo
[0]as mangas de jasmim de itamaraca
[0]a morte do zumbi
[0]este
[0]o frade e a freira
[0]a serpente emplumada da lapa
[0]o sonho de paraguassu
[1]sul
[1]o negrinho do pastoreio
[1]a lenda da gralha azul
[1]fonte dos amores
[1]a virgem aparecida
[1]a lenda de itarare
[1]centro
[1]os tatus brancos
[1]a missa dos mortos
[1]chico rei
[1]romaozinho
[1]algumas notas --- vocabulario e informações
sexta-feira, 15 de setembro de 2017
Cobra Norato
No paranã do cachoeiri, entre o Amazonas e o Trombetas, nasceram Honorato e sua irmã Maria Caninana.
A mãe sentiu-se grávida quando se banhava no rio Claro. Os filhos eram gêmeos e vieram ao mundo na forma de duas serpentes escuras.
A tapuia batizou-os com os nomes cristãos de Honorato e Maria. E sacudiu-os nas águas do paranã porque não podiam viver em terra.
A Lenda da Iara
Deitada sobre a branca areia do igarapé com os matupiris, que lhe passam sobre o corpo meio oculto pela corrente que se dirige para o igapó, uma linda tapuia canta a sombra dos jauaris, sacudindo os longos e lindos cabelos, tão negros como seus grandes olhos.
As flores lilases do mururé formam uma grinalda sobre sua fronde que faz sobressair o sorriso provocador que ondula os lábios finos e rosados.
Canta, cantando o exílio, que os ecos repetem pela floresta, e que, quando chega a noite, ressoam nas águas do gigante dos rios.
As flores lilases do mururé formam uma grinalda sobre sua fronde que faz sobressair o sorriso provocador que ondula os lábios finos e rosados.
Canta, cantando o exílio, que os ecos repetem pela floresta, e que, quando chega a noite, ressoam nas águas do gigante dos rios.
quarta-feira, 2 de novembro de 2016
Contos de Fadas
Sumário
APRESENTAÇÃO
Um eterno encantamento, por Ana Maria Machado
CHARLES PERRAULT
Cinderela ou O sapatinho de vidro
Pele de Asno
O Gato de Botas ou O Mestre Gato
O Pequeno Polegar
Chapeuzinho Vermelho
Barba Azul
JEANNE-MARIE LEPRINCE DE BEAUMONT
A Bela e a Fera
JACOB E WILHELM GRIMM
A Bela Adormecida
Branca de Neve
Chapeuzinho Vermelho
Rapunzel
João e Maria
HANS CHRISTIAN ANDERSEN
A roupa nova do imperador
O Patinho Feio
A pequena vendedora de fósforos
A Pequena Sereia
A princesa e a ervilha
JOSEPH JACOBS
João e o pé de feijão
A história dos três porquinhos
ANÔNIMO
A história dos três ursos
Fontes
Copyrig
A história dos três porquinhos
ERA UMA VEZ, quando porcos faziam rimas,
Macacos mascavam tabaco,
Galinhas cheiravam rapé para ficarem fortes,
Havia uma velha porca que tinha três porquinhos, e como não tinha o bastante para sustentá-los, mandou-os partir em busca da sorte. O primeiro que se foi encontrou um homem com um feixe de palha, e disse a ele:
“Por favor, homem, me dê essa palha para eu construir uma casa.”
Cinderela ou O sapatinho de vidro
ERA UMA VEZ um fidalgo que se casou em segundas núpcias com a mulher mais soberba e mais orgulhosa que já se viu. Ela tinha duas filhas de temperamento igual ao seu, sem tirar nem pôr. O marido, por seu lado, tinha uma filha que era a doçura em pessoa e de uma bondade sem par. Nisso saíra à mãe, que tinha sido a melhor criatura do mundo.
Assim que o casamento foi celebrado, a madrasta começou a mostrar seu mau gênio. Não tolerava as boas qualidades da enteada, que faziam suas filhas parecerem ainda mais detestáveis. Encarregava-a dos serviços mais grosseiros da casa. Era a menina que lavava as vasilhas e esfregava as escadas, que limpava o quarto da senhora e os das senhoritas suas filhas. Quanto a ela, dormia no sótão, numa mísera enxerga de palha, enquanto as irmãs ocupavam quartos atapetados, com camas da última moda e espelhos onde podiam se ver da cabeça aos pés.
Branca de Neve
ERA UMA VEZ uma rainha. Um dia, no meio do inverno, quando flocos de neve grandes como plumas caíam do céu, ela estava sentada a costurar, junto de uma janela com uma moldura de ébano. Enquanto costurava, olhou para a neve e espetou o dedo com a agulha. Três gotas de sangue caíram sobre a neve. O vermelho pareceu tão bonito contra a neve branca que ela pensou: “Ah, se eu tivesse um filhinho branco como a neve, vermelho como o sangue e tão negro como a madeira da moldura da janela.” Pouco tempo depois, deu à luz uma menininha que era branca como a neve, vermelha como o sangue e negra como o ébano. Chamaram-na Branca de Neve. A rainha morreu depois do nascimento da criança.
Branca de Neve e Rosa Vermelha
Era uma vez uma pobre viúva que vivia numa cabana solitária. Na frente da cabana havia um jardim onde dois pés de roseiras cresciam orgulhosos, um dos quais dava rosas brancas e o outro produzia rosas vermelhas. Ela tinha duas filhas que eram parecidas com os dois pés de roseira, e uma delas se chamava Branca de Neve, e a outra Rosa Vermelha. Elas eram boas meninas e viviam felizes, eram ágeis e carinhosas como somente duas crianças no mundo poderiam ser, apenas Branca de Neve era mais tranquila e mais gentil do que Rosa Vermelha. Rosa Vermelha gostava mais de correr pelos campos e pradarias em busca de flores e caçando borboletas; mas Branca de Neve gostava de ficar em casa com sua mãe, e a ajudava nas tarefas domésticas, ou lia para ela quando não havia nada para fazer.
As duas meninas gostavam tanto uma da outra que quando elas andavam pelas ruas, elas sempre seguravam uma na mão da outra, e quando Branca de Neve dizia, “Jamais nos separaremos um dia,” Rosa Vermelha respondia, “Jamais, enquanto vivermos,” e a mãe delas completou, “O que uma tinha, fazia questão de dividir com a outra.”
terça-feira, 17 de agosto de 2010
Boi da Cara Preta
Boi, boi, boi
Boi da cara preta
Pega esta criança que tem medo de careta
Não, não, não
Não o coitadinho
Ele está crorando, porque ele é bonitinho!
>> https://www.google.com.br/search?q=Boi+da+Cara+Preta&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjF7MnEkqrXAhVGE5AKHa8ODVIQ_AUICygC&biw=1366&bih=662#imgrc=1QI7NF2a0hhgtM:
Boi da cara preta
Pega esta criança que tem medo de careta
Não, não, não
Não o coitadinho
Ele está crorando, porque ele é bonitinho!
>> https://www.google.com.br/search?q=Boi+da+Cara+Preta&source=lnms&tbm=isch&sa=X&ved=0ahUKEwjF7MnEkqrXAhVGE5AKHa8ODVIQ_AUICygC&biw=1366&bih=662#imgrc=1QI7NF2a0hhgtM:
Nana Nenem
Nana nenem
que a cuca vem pegar
papai foi pra roça
mamãe foi trabalhar
Desce gatinho
De cima do telhado
Pra ver se a criança
Dorme um sono sossegado
que a cuca vem pegar
papai foi pra roça
mamãe foi trabalhar
Desce gatinho
De cima do telhado
Pra ver se a criança
Dorme um sono sossegado
Atirei o Pau no Gato
Atirei o pau no gato tô tô
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu:
Miau!
Mas o gato tô tô
Não morreu reu reu
Dona Chica cá
Admirou-se se
Do berro, do berro que o gato deu:
Miau!
Ciranda Cirandinha
Ciranda Cirandinha
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar
O Anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou
Por isso dona Rosa
Entre dentro desta roda
Diga um verso bem bonito
Diga adeus e vá se embora
Vamos todos cirandar
Vamos dar a meia volta
Volta e meia vamos dar
O Anel que tu me destes
Era vidro e se quebrou
O amor que tu me tinhas
Era pouco e se acabou
Por isso dona Rosa
Entre dentro desta roda
Diga um verso bem bonito
Diga adeus e vá se embora
Cantiga de roda
Cantigas de roda, cirandas ou brincadeiras de roda são brincadeiras infantis, onde tipicamente as crianças formam uma roda de mãos dadas e cantam melodias folclóricas, podendo executar ou não coreografias acerca da letra da música. São uma grande expressão folclórica, e acredita-se que pode ter origem em músicas modificadas de um autor popular ou nascido anonimamente na população. São melodias simples, tonais, com âmbito geralmente de uma oitava e sem modulações. O compasso mais utilizado é o binário, porém não raramente também o ternário e o quaternário. Entre as cantigas de roda mais conhecidas estão Roda pião, Escravos de Jó, Rosa juvenil, Sapo Cururu, O cravo e a rosa e Atirei o pau no gato.
Cantigas de Roda são um tipo de canção popular relacionada às brincadeiras de roda. Nesse sentido carregam uma melodia de ritmo limpo e rápido, favorecendo a imediata assimilação. Estão incluídas nas tradições orais em inúmeras culturas. No Brasil, fazem parte do folclore brasileiro, incorporando elementos das culturas africana, européia (principalmente portuguesa e espanhola) e indígena. Na matriz cultural brasileira têm uma característica interessante, que é a autoria coletiva (ou anônima) pelo fato de serem passadas de geração à geração. Atreladas ao ato de brincar, consistem em formar um grupo com várias crianças (ou adultos), dar as mãos e cantar uma música com características próprias, com melodia e ritmo equivalentes à cultura local, letras de fácil compreensão, temas referentes à realidade da criança ou ao seu imáginário, e geralmente com coreografias. As cantigas hoje conhecidas no Brasil têm origem européia, mais especificamente em Portugal e Espanha. As cantigas de roda são de extrema importância para a cultura de um país. Através delas dá-se a conhecer costumes, o cotidiano das pessoas, festas típicas do local, comidas, brincadeiras, paisagem, crenças. Normalmente tem origens antigas e muitas versões de suas letras, pois vão sendo passadas oralmente pelas gerações.
Ditado popular
Ditado popular ou Provérbio é uma máxima sentença de caráter prático e popular, ou consagrada pelo uso, de moral mais segura e severa que expressa em forma sucinta, e não raramente figurativa, uma idéia ou pensamento aplicando exemplos morais, filosóficos e religiosos.
Podem ser de autor desconhecidos ou conhecidos, como exemplo: Rei Salomão - "Até o insensato passará por sábio se estiver calado, e por inteligente se conservar os lábios fechados".
Ditado é a expressão que se mantém imutável através dos anos, constituindo uma parte importante de cada cultura.
Geralmente, os ditados populares servem como aconselhamentos.
Podem ser de autor desconhecidos ou conhecidos, como exemplo: Rei Salomão - "Até o insensato passará por sábio se estiver calado, e por inteligente se conservar os lábios fechados".
Ditado é a expressão que se mantém imutável através dos anos, constituindo uma parte importante de cada cultura.
Geralmente, os ditados populares servem como aconselhamentos.
Se Essa Rua Fosse Minha
Se essa rua
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar
Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem
Se essa rua fosse minha
Eu mandava
Eu mandava ladrilhar
Com pedrinhas
Com pedrinhas de brilhante
Só pra ver
Só pra ver meu bem passar
Nessa rua
Nessa rua tem um bosque
Que se chama
Que se chama solidão
Dentro dele
Dentro dele mora um anjo
Que roubou
Que roubou meu coração
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Tu roubaste
Tu roubaste o meu também
Se eu roubei
Se eu roubei teu coração
Foi porque
Só porque te quero bem
João Pestana
O João Pestana, uma entidade mítica do sono, é uma personagem da mitologia infantil portuguesa. O João Pestana é o sono a chegar, um ser muito tímido e assustadiço que chega devagar quando está tudo silencioso, foge ao mínimo barulho. Quando ele chega os olhos fecham-se as pestanas juntam-se, por isso nunca nenhuma criança o viu. É equivalente ao Predro Chosco, que deita nos olhos das crianças um grãozinho de areia para elas dormirem, e ao Sandman inglês. O João Pestana é tema frequente nas cantigas de embalar e nas rimas infantis. O João Pestana é sempre aguardado com ansiedade, contrariamente a outras entidades malévolas e assustadoras do sono como a Maria-da-Manta ou o Insonho.
Ditado PopularJoão Pestana,João Pestana,Faz dormirO meninoNa cama!
Canção de ninarJá lá vem João PestanaPé ante pé voz quenão enganaVem de longe já muito cansadoPobre João, coitadoFaz ó, ó, Menino tambémFaz ó, ó, que o soninho já vem
Cantiga de ninar
Cantigas de ninar, canções de ninar, acalantos ou cantigas de embalar são canções que as pessoas entoam para fazer os bebês dormirem suavemente.
Chamadas lula, na Suécia; berceuse, na França; ninnananna ou cantilena, na Itália; kalebka, na Polônia; lulle, na Dinamarca; rurrupatas, no Chile; canción de cuna, na Espanha; lullaby na Inglaterra e Estados Unidos; lullen, na Holanda, canções de embalar, em Portugal; komoruita, no Japão; cantec de legan, na Romênia, cantigas de mucuru, entre os indígenas brasileiros.
Nina-nana é o tom ritmado da voz de quem embala a criança, e é também o nome que se dá à "cantiga de acalentar".
Leite de Vasconcelos distingue três tipos de cantigas: as de berço (ou embalar), as de acalentar e as complexas que servem para embalar e acalentar.
Os temas das cantigas são os temas religiosos como os anjos, os pais ausentes, e as entidades míticas do sono como o João Pestana além das entidades assustadoras de crianças como o papão e a coca.
O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira não registra o vocábulo coca (côca), e sim cuca significando bicho-papão, coco, papa-gente, tutu, bitu, boitatá, papa-figo. A coca (côca) ou cuca é um bicho imaginário frequentemente usado para fazer medo às crianças que não querem dormir.
No sul do Brasil mantém-se a figura da cuca, mencionada na obra de Monteiro Lobato. No nordeste, a referência foi perdida, como mostra a substituição na canção de ninar:
"Chô, Chô pavão
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu sono sossegado."
No Brasil, dentre as mais conhecidas estão o Dorme nenem (folclore do Nordeste do Brasil, recolhido por Luís da Câmara Cascudo) e o Boi da cara preta (de Dorival Caymmi).
Chamadas lula, na Suécia; berceuse, na França; ninnananna ou cantilena, na Itália; kalebka, na Polônia; lulle, na Dinamarca; rurrupatas, no Chile; canción de cuna, na Espanha; lullaby na Inglaterra e Estados Unidos; lullen, na Holanda, canções de embalar, em Portugal; komoruita, no Japão; cantec de legan, na Romênia, cantigas de mucuru, entre os indígenas brasileiros.
Nina-nana é o tom ritmado da voz de quem embala a criança, e é também o nome que se dá à "cantiga de acalentar".
Leite de Vasconcelos distingue três tipos de cantigas: as de berço (ou embalar), as de acalentar e as complexas que servem para embalar e acalentar.
Os temas das cantigas são os temas religiosos como os anjos, os pais ausentes, e as entidades míticas do sono como o João Pestana além das entidades assustadoras de crianças como o papão e a coca.
"O feio bicho papão
Está em cima do telhado
Para ver se o meu menino
Está no berço deitado."
"Vai-te coca vai-te coca
Sai de cima do telhado
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado."
"Dorme filhinho, dorme meu amor, que a faca que corta dá talho sem dor."
O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira não registra o vocábulo coca (côca), e sim cuca significando bicho-papão, coco, papa-gente, tutu, bitu, boitatá, papa-figo. A coca (côca) ou cuca é um bicho imaginário frequentemente usado para fazer medo às crianças que não querem dormir.
No sul do Brasil mantém-se a figura da cuca, mencionada na obra de Monteiro Lobato. No nordeste, a referência foi perdida, como mostra a substituição na canção de ninar:
"Chô, Chô pavão
Sai de cima do telhado
Deixa o menino dormir
Seu sono sossegado."
No Brasil, dentre as mais conhecidas estão o Dorme nenem (folclore do Nordeste do Brasil, recolhido por Luís da Câmara Cascudo) e o Boi da cara preta (de Dorival Caymmi).
Cuca
A Cuca é um dos principais seres mitológicos do folclore brasileiro. Ela é conhecida popularmente como uma velha feia na forma de jacaré que rouba as crianças desobedientes. A origem desta lenda está num dragão, a coca das lendas portuguesas, tradição que foi levada para o Brasil na época da colonização.
No Brasil, a "Cuca" normalmente é descrita como tendo a forma de um jacaré com longos cabelos loiros. Isso na verdade se tornou mais popular por causa das várias adaptações para a televisão da obra infantil de Monteiro Lobato, o Sítio do Picapau Amarelo, onde a personagem era sempre representada por uma atriz com uma fantasia de jacaré de cabelo amarelo. No livro original "O Saci" escrito por Monteiro Lobato em 1921, a personagem é descrita apenas como uma bruxa velha com rosto de jacaré, e unhas compridas como as de um gavião.
O Novo Dicionário da Língua Portuguesa de Aurélio Buarque de Holanda Ferreira traz cuca significando bicho-papão, coco, papa-gente, tutu, bitu, boitatá, papa-figo. A cuca é um bicho imaginário criado e usado para fazer medo às crianças choronas que não querem dormir.
Curiosidades
No Brasil a palavra cuca também pode ser o sinonimo de cabeça, mente.
"Cuca" ou "cuca de farofa" também é nome dado no Brasil ao Streuselkuchen, bolo típico alemão (lit. "bolo de flocos", em alemão: Kuchen = "bolo", Streusel = "granulado", "flocos").
Nas Cantigas
No Brasil umas das mais conhecidas "canções de ninar" é a Dorme nenem (folclore do Nordeste do Brasil, recolhido pelo historiador, folclorista, antropólogo, advogado e jornalista Luís da Câmara Cascudo)
Nana nenemque a cuca vem pegarpapai foi pra roçamamãe foi trabalharDesce gatinhoDe cima do telhadoPra ver se a criançaDorme um sono sossegado
Na Literatura
O livro infantil O Saci é umas das mais memoraveis obras do escritor brasileiro Monteiro Lobato, que conta as varias aventuras de pedrinho e narisinho com os seres da floresta ao irem morar na chacara da avó Naná. O detalhe da estórea fica por conta da magia e a brasilidade que isso envolve pois priticamente todos os seres da floresta são baseados em lendas brasileiras. Como a Cuca, que é uma adaptação da lenta portuguêsa.
No Cinema
Versão do filme "O Saci"
A primeira versão audiovisual da Cuca, apareceu em um filme de 1951 chamado O Saci (filme), baseado na obra de Monteiro Lobato, onde a personagem era interpretada por uma atriz chamada M.Meneguelli. Mas, diferente de como é conhecida hoje em dia, a Cuca não era representada como uma jacaré femea de cabelos loiros, mas apenas como uma velha de roupas sujas e rasgadas.
Na Televisão
Nas duas versões do Sítio do Picapau Amarelo, produzidas pela Rede Globo, foram usadas cinco fantasias diferentes para a Cuca, na maioria das vezes, sendo sempre mostrada com corpo de jacaré, com exceção da versão do ano de 2007, onde a personagem é feita sem máscara por Solange Couto.
Na versão de 1977, a Cuca era um boneco de jacaré na cor verde escuro, com listras coloridas na barriga, e cabelos loiros compridos. Já em 2001, ela passou a ser representada usando um vestido vermelho com uma capa que lembravam a roupa usada pela madastra da Branca de Neve. Na temporada de 2003, a Cuca ficou mais gorda, com cabelos soltos e mais compridos, e ganhou uma nova roupagem amarela e verde. No ano de 2005, a personagem passou por novas mudanças, ficando com um aspécto mais feio e horripilante, e ganhando uma forma mais parecida com a Cuca do Sítio de 1977, com exceção do fato de que a Cuca dos anos 70 possuia listras coloridas na barriga, e pequenos olhos vermelhos (a Cuca de 2005 lembrava tanto a versão de 1977, que em 2008, quando foram lançados DVDs do "Sítio dos anos 70", foi usada por engano, uma foto da Cuca de 2005 no menu do DVD junto com as fotos dos atores da antiga versão de 1977.) A última mudança na fantasia da Cuca aconteceu no ano de 2007, diferente de todas as adaptações televisivas que já haviam sido feitas antes com a personagem, a Cuca dessa vez não era mais um boneco de jacaré, mas sim a atriz Solange Couto com maquiagem no rosto e dentes pontiagudos, usando um macacão verde.
Curioso é que no ano de 2008, algumas partes das fantasias da Cuca de 2001 e 2005 usadas pela Rede Globo, foram reaproveitadas na peça teatral "Sítio do Picapau Amarelo - O Musical", dirigida por Roberto Talma, que também havia sido o diretor da primeira temporada do Sítio em 2001. Na peça, a cabeça e o rosto da Cuca de 2005 foram usados junto com o corpo e vestido vermelho da Cuca de 2001, misturando as duas versões em uma só.
Coca
A coca é um ser mítico, uma espécie de fantasma, bruxa ou bicho-papão com que se assustam meninos. Embora não tenha uma aparência definida, este ser assustador tinha uma representação figurada, a sua cabeça era uma espécie de abóbora ou cabaça da qual saía luz (ou fogo). A representação da coca era feita com uma panela ou abóbora oca em que se faziam três ou quatro buracos, imitando olhos, nariz e boca, e em que se colocava uma luz dentro e deixava-se, durante a noite, num lugar bem escuro para assustar crianças e pessoas que passavam.
A coca é um ser feminino, o equivalente masculino é o coco embora ambos acabem por ser dois aspectos do mesmo ser, e confundem-se um com o outro na sua representação e no seu papel de assustar meninos; como nenhum destes seres tem uma forma definida toma-se um pelo outro.
Abóbora iluminada
No Minho esta máscara que se faz com a casca de uma abóbora é chamada de coco[2]. Na antiga Beira Alta era costume os rapazes levarem espetada num pau, como símbolo das almas do outro mundo, uma abóbora esculpida em forma de cara, com uma vela acesa dentro, lembrando uma caveira. Segundo Rafael Loureiro, a tradição de esculpir abóboras com rostos é uma tradição milenar na Península Ibérica que remonta ao tempo dos celtiberos, um costume parecido ao que Diodoro Sículo atribuía aos guerreiros hispânicos na batalha de Selinunte em 469 a.C., que penduravam nas lanças as cabeças dos inimigos.
"O costume outonal e infantil de esvaziar aboboras e talhar na sua casca olhos, nariz e boca buscando uma expressão tétrica, longe de ser uma tradição importada por um recente mimetismo cultural americanizante, é um rasgo cultural antiquíssimo na Península Ibérica" ~ Rafael Loureiro
A Festa da Coca
No norte de Portugal, a coca é representada por um dragão com escamas. Na vila de Monção, conhecida como a terra da "coca", ela é chamada de "santa coca" ou "coca rabixa". Na festa do dia do Corpus Christi a coca é o dragão que luta com São Jorge na representação da lenda de São Jorge e o dragão. Há referências à Festa da Coca desde o século XVI.
Após a Procissão do Corpo de Deus, o povo reúne-se no Campo do Souto, antigas instalações do caminho de ferro. O combate das Festas do Corpo de Deus decorre num anfiteatro em terra batida construído em paralelo ao troço que chegou a ser aberto até São Gregório. A coca (o dragão) – uma estrutura de madeira com um homem no interior – e um cavaleiro representando S. Jorge, com uma capa vermelha, elmo e lança, iniciam a "luta". A coca é empurrada, contra o cavalo, enquanto o cavaleiro tenta enfiar a lança na mandíbula da fera. São Jorge tenta lançar um golpe sobre a orelha da coca. A coca sem a orelha perde a força.
"A tal Coca é um monstro em figura de dragão. É de arcos , cobertos de lona, e rodas por baixo, sobre as quais marcha e contra marcha. Tem asas, pontas, e uma grande cauda retorcida. A boca é de molas, e, para que se abra e feche, atam-lhe uma corda porque puxam atrás os homens que fazem andar o dragão para meter medo ao cavalo. Esta luta de São Jorge com a santa Coca é a que mais embasbaca o povo."
Segundo a lenda , quando o cavaleiro ganha, o ano agrícola é fértil; quando é a Coca que vence o ano agrícola é mau.
A mais antiga referência à Coca surge no Livro 3 de Doações de D. Afonso III, ano de C. de 1274:
"E se per ventura algua Balea ou Baleato ou serea ou coca ou Roaz ou Musaranha ou outro pescado grande que semelhe algun destes morrer em Sesimbra ou em Silves ou em outros lugares da Ordin de El Rey."
Literatura
Na literatura oral a coca é tema das cantigas de embalar, tal como o bicho-papão que rouba criancinhas ou a Maria-da-Manta que tem fogo nos olhos, é um ser que assusta as crianças, está sempre à espreita (está sempre à coca), e impede que o sono chegue. O sono é muitas vezes personificado por um outro ser mítico, o João Pestana.
“Vai-te coca vai-te coca
Para cima do telhado
Deixa dormir o menino
Um soninho descansado.”
No Auto da Barca do Purgatório (1518), de Gil Vicente, um menino identifica o diabo como o "coco" [9]:
“Mãe e o coco está ali
queres vós estar quedo co'ele?
Demo: Passa passa tu per i.
Menino: E vós quereis dar em mi
Ó demo que o trouxe ele."
Nas Décadas da Ásia (1563), João de Barros descreve como o nome do coco (fruto), teve origem nesta tradição:
“[...]por razão da qual figura, sem ser figura, os nossos lhe chamaram coco,
nome imposto pelas mulheres a qualquer cousa, com que querem fazer medo às crianças,
o qual nome assi lhe ficou[...]”
Rafael Bluteau, no primeiro dicionário da língua portuguesa o Vocabulario Portuguez e Latino (1712) define o coco e a coca como caveiras:
“O Coco ou a Coca. Usamos destas palavras, para pôr medo aos meninos, porque a segunda casca do Coco tem na sua superfície três buracos com feição de caveira.“
A coca e o coco no mundo
O papel de assustar meninos estendeu-se até ao Brasil, levado pelos primeiros colonizadores, onde a coca é conhecida por um outro sinónimo: Cuca.
Na Catalunha este ser é chamado de "cuca" ou "cucafera" e é frequentemente representada por um dragão.
Na Galiza a coca é representada por um dragão e o dia da coca é celebrado em Redondela no dia do Corpus Christi. A representação da coca, com uma abóbora iluminada, faz parte do património imaterial galego-português. Na Galiza é tema na festa das caliveras, ou samaín, e assume vários nomes: calacús, caveiras de melón, calabazotes, colondros etc. Em Ribadeo o coco e a coca são representados por dois gigantes. O mito do coco também se espalhou pelos países de língua castelhana e, segundo o dicionário da Real Academia Espanhola, “el coco” (também chamado de “el cuco”) teve origem no fantasma português: “(Del port. côco, fantasma que lleva una calabaza vacía, a modo de cabeza). Fantasma con que se mete miedo a los niños”.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Tapetes Voadores
O Ministério da Magia pode ter declarado que os tapetes voadores são ilegais, mas isso não foi suficiente para que essas maravilhosas peças de tapeçaria fossem abandonadas por alguns magníficos magos * e mágicos * do Extremo Oriente.
As historias mais antigas sobre tapetes mágicos estão ligadas ao rei Salomão. Filho de Davi (o famoso Davi que lutou contra Golias) e Bathsheba, Salomão é tradicionalmente considerado o maior soberano de Israel na antiguidade. Segundo o Livro dos Reis no Velho Testamento, Salomão era um político hábil e um guerreiro feroz. Com seus exércitos poderosos, criou um império que se estendia desde o Egito ate o rio Eufrates, no Iraque. Rei de Sabedoria e justiça incomuns, adorava a beleza, escrevia poemas refinados e construiu templos e palácios espetaculares.
Trasgos
Apesar da palavra “trasgo” ser usada na maior parte do tempo para descrever um monstro, características bastante específicas distinguem os trasgos dos outros seres que surgem à noite. Os trasgos são criaturas sobrenaturais extremamente feias que habitam os frios países da Escandinávia, no norte da Europa. São seres ferozes e malvados que gostam de carne humana e de tesouros roubados; eles também são gigantescos, extremamente fortes e notoriamente ignorantes. Mas talvez essas características possam ser perdoadas, pelo menos por alguns instantes, quando lembramos que foi graças a um trasgo montanhês de quase quatro metros de altura que Harry, Rony e Hermione se tornaram amigos tão depressa.
Há registros de trasgos vivendo nas florestas e montanhas da Escandinávia desde que os homens foram para essa região pela primeira vez, no final da era glacial. Eles fazem parte dos primeiros mitos e lendas populares da Noruega e da Suécia. Além do tamanho gigantesco, as características mais evidentes do trasgo são seus longos narizes curvados, sua grossa calda, seus enormes pés chatos, a falta de um ou mais dedos nas mãos e nos pés (eles têm apenas três ou quatro) e a grande quantidade de pêlos e musgo que cobre suas cabeças e narizes. Há também relatos de trasgos com apenas um olho no meio da testa enrugada, outros com duas ou três cabeças e outros, ainda, que têm árvores crescendo em seus narizes. Nas lendas populares mais recentes, os trasgos passaram a ser descritos como sendo muito pequenos, ou do tamanho de seres humanos, e mais inteligentes que seus predecessores.
Vassoura Voadora
Ninguém gosta tanto de uma vassoura voadora quanto uma bruxa * . A grande afeição de Harry pela sua Firebolt faz com que pensemos que os magos * também são grandes fãs de vassouras. Porém, historicamente falando, quase todas as pessoas vistas cruzando o céu numa vassoura eram mulheres. Quando, por acaso, um mago ou feiticeiro dizia ser capaz de voar, era mais provável que usasse um forcado!
Embora as ilustrações populares de nossos dias invariavelmente mostrem as vassouras como o meio de transporte das bruxas, nem sempre foi. Assim. Entre 1.450 e 1.600, aproximadamente, quando a crença no poder da bruxaria estava disseminada por toda Europa, contava-se que as bruxas subiam ao céu e rumavam para suas reuniões à meia-noite montadas em cobras, bois, ovelhas, cães e lobos além de varas, pás e bastões. As vassouras voadoras, segundo alguns pesquisadores, acabaram por se tornar o veículo predileto por causa do papel tradicional das mulheres como donas-de-casa.
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